De um cálice, para outro. De um cálice, para outro. O prateado, o dourado. O prateado, o dourado. E, de repente, um cale-se! gritado, ordenado, mandado.
- Cuidado, senhora, teu grito enche a Terra de terremotos.
- A Terra é meu domínio e dela cuido eu, cuide tu do teu.
Sem cantar, de preferência - dizia seu olhar. E Íris era realmente boa em escutar. De um cálice, para outro; e agora sem cantar - tudo o que a Senhora ordenar. E a Senhora ordenava coisas com as quais Íris realmente não queria ajudar. Mensagens que ela não tinha vontade de entregar. Mas, de um cálice para outro jorrava o sentimento do mundo, e ela não podia parar. Assim, todas as mensagens que Hera enviava à Terra chegavam com um arco-íris - viessem depois de uma chuva de verão ou de uma tempestade, traziam as cores como brinde. Os Deuses, lá no Olimpo, tinham sorte maior: o sorriso fácil e os gestos meigos da Íris. Íris era a harmonia entre opostos, a bênção de um olhar calmo.
- Temperança, minha Senhora - ela lembrava.
- Vingança, minha Serva - Hera implorava.
Íris, arco-íris; Hera, a terra. Íris toda paz; Hera toda fera. Feita de sete cores e Temperança, Íris é harmonia até mesmo na vingança.

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