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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sabotagem a uma Imperatriz



Disseram-me que não.
E por que raios iria eu pensar no que disseram?
Disseram-me que não era bom.
E por que raios tenho eu que querer o bom?
Disseram-me que eu era boa.
E por que raios iria eu aceitar tal dom?
Disseram-me que isso magoa.
E, no fundo, eu achava que merecia.

Era feito apenas de matéria, tão impuro.
E minha intuição sabia que era inseguro.
Era o que eu queria, mas era miragem.
E não era o que eu queria, sabotagem.
Meu coração ardia à margem.
O importante era a vulva: sacanagem.

Puta burrice o que eu sentia.
Puta mesmice o que eu vivia.
Puta eu sem minha luz que irradia.
Meu ego sempre me reduz,
Mas eu tenho essa luz.

Sem pregar peças, psique.
Agora, sem verso, digo no talo: eu não vou pro ralo. Eu não sou um galo, pra ficar cantando alegria e morrendo por dentro. Chega de auto-sabotagem. Chega de rima triste. Chega de pensamento surrupiante. Chega de dor sussurrante. Chega de mascarar com alegria o que na verdade é meu espírito gritando, meu instinto inflamando: Não quero o que não é bom! Eu aceito esse dom! Não mereço nada menos que esse tom. Esse tom ameno e feliz, que não ignora a dor, mas se sente merecedor de ser imperatriz.

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