Descartar a certeza
Não reconhecer o definitivo
Conjugar os dias no infinitivo
E deixar tudo pairando no ar
Para que se possa ser mar
Não programar
Não remediar
Não culpar
Mesmo que se sinta sem lar
Deixar a beleza inventar
Um novo refrão
Pra essa estranha canção
Que nada pode esfriar
Mesmo que pareça em vão
Dar passos sem sentido
Inventar um novo ruído
Arrumar um projeto louco
e logo trocá-lo por outro
Para a agenda não ser ácida
Mesmo que fique muito plácida
Dançar pra lá
Com o vento pra cá
Os pés no chão
E a cabeça claro que não
O disco tem que ser trocado
Mesmo que o fim pareça malogrado
É que na vida não tem maldição
Tem só essa tradição
Meio neurótica
De seguir numa estrada caótica
Uma só direção
Mesmo que abra-se mão da emoção
Eu vou de pés descalços e já não ligo se piso no granizo ou no asfalto, na relva ou na selva, na grama ou na lama, na praia ou no breu. Eu piso. Porque embaixo dos meus pés o chão se cria ao meu passo. E em meu próprio embalo eu me embaraço, já que quando de antemão espero a escuridão, pro oposto me leva o alazão da vida, desde que eu defina meu coração como ponto de partida.

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